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13 09 2013
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Ano de produção  2012

Dirigido por  Gauri Shinde

Com  SrideviAdil HussainMehdi Nebbou

Gênero  Drama , Comédia

Nacionalidade  Índia

Uma mulher passa por grandes dificuldades na sociedade onde vive, por ser tímida e por não falar inglês. As circunstâncias forçam-na a afirmar sua independência, inscrevendo-se em um curso de inglês e provando ao mundo que ela é tão capaz quanto qualquer outra mulher.

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-208664/

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Indicação

Um filme leve, divertido, bem-humorado e, à primeira vista, despretensioso. Apesar de repleto de clichês, nos conduz a uma profunda reflexão sobre os papéis masculino/feminino, do que aprendemos a denominar atividade/passividade e também sobre a possibilidade de um mundo onde não haja “excluídos”, onde os seres humanos se amem e  respeitem as singularidades de cada um. Shashi é a representante de um universo onde a submissão e a anulação de sua identidade são regras para as mulheres. Ela vive a privação e a insatisfação de sequer tentar se realizar e perseguir seus anseios e sonhos. Se vitimiza e delega ao outro o reconhecimento de seu próprio valor, até que as circunstâncias da vida a empurram para uma tomada de decisão: é ficar congelada no velho e conhecido lugar de vítima ou se arriscar e assumir a responsabilidade por suas escolhas, tomando as  rédeas do próprio destino. A partir daí ela se decide e caminha rumo à sua autonomia. O caminho nem sempre será fácil, porém, trará consigo um enorme sentimento de amor-próprio e mais-valia.

Por Giselle Soares Oliveira – Regional Goiás





Choque de Classes

12 08 2009

CHOQUE DE CLASSES (2004)

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Sinopse

Homem cansado de rotina familiar com a esposa conservadora e com a irmã dominadora dirige-se a cidade para encontrar sua outra irmã, dona de boate, gerando um choque de classes tão divertido quanto surpreendente. Do mesmo diretor de Pauline & Paulette, filme que ganhou o Prêmio Ecumênico Especial do Júri em Cannes em 2001.

Reflexões sobre o filme

O filme trata do choque entre o tradicional e a transgressão do comum. É um olhar não preconceituoso e não discriminativo do diretor sobre o tema.

Tuur, um homem cansado da rotina em que vive, está profundamente mal-humorado no dia de seu aniversário de casamento. Ele tem um relacionamento tradicional, em que a rotina gerou apatia e estagnação. Além disso, o casal acomodou-se à presença de uma irmã de Tuur dominadora, manipuladora e geniosa. É possível que essa irmã também tenha se acomodado à situação.

Em determinado momento, essa incômoda situação gera fato inédito: Tuur resolve sair de casa e procurar sua outra irmã, que vivia situação oposta à dele. Ela sentia-se rejeitada pela família, por ter escolhido viver de forma e em local diferente.

A visita inesperada de Tuur à irmã de quem se distanciara leva essa personagem de volta ao passado, para rever fantasmas familiares. Contente com a presença do irmão, a irmã demonstra que o quer a seu lado, para fazer-lhe companhia e para compartilhar. O contato entre ambos traz novo significado à vida dessa irmã.

Com o afastamento de Tuur, sua mulher, Emma, encontra seu próprio valor, brilho pessoal, força e coragem para viver. Depois que marido e mulher passam pelas experiências necessárias à transformação de cada um, o que confere novo significado a suas vidas, eles se reaproximam de coração aberto. Após o reencontro, seguem juntos, felizes.

A vida seria mais fácil se as mudanças fossem encaradas como desafios e não como tragédias. Mas isso só seria possível se, em vez de culparmos os outros, assumíssemos a vida como destino pessoal criado, muitas vezes, por nós mesmos.

Frequentemente, a rotina, as regras, as normas, os papéis sociais geram estagnação e paralisam os indivíduos. Nessa situação, os sentimentos tornam-se inacessíveis, as sensações ficam entorpecidas e a razão resta embotada.

É comum a insatisfação, as frustrações, as doenças, os transtornos psíquicos ou algum acontecimento levarem-nos a situações de crise, que revira nossos conceitos, preconceitos e paradigmas. A crise nos acorda do torpor e movimenta a vida dentro de nós. A vida parece não suportar a estagnação e a tudo impulsiona em direção ao crescimento e à expansão.

Por Flávio Vervloet





Vicky Cristina Barcelona

30 07 2009

vicky-cristina-barcelona07tSinopse
Vicky (Rebecca Hall) e Scarlett Johansson (Cristina) são grandes amigas que estão em férias em Barcelona. Vicky procura ser sensata em relação ao amor e está noiva, enquanto que Cristina sempre busca uma nova paixão que possa virar sua cabeça. Um dia, em uma galeria de arte, elas conhecem Juan Antonio (Javier Bardem), um atraente pintor que teve um relacionamento problemático com sua ex, Maria Elena (Penélope Cruz). Ainda naquela noite, durante o jantar, Juan Antonio se aproxima da mesa em que Vicky e Cristina estão, fazendo-lhes a proposta de com ele viajar para Oviedo. Vicky inicialmente a rejeita, mas Cristina aceita de imediato e consegue convencer a amiga a acompanhá-la. É o início do relacionamento conturbado de ambas com Juan Antonio.

Fonte: http://www.adorocinema.com.br/filmes/vicky-cristina-barcelona/vicky-cristina-barcelona.asp

Reflexões sobre o filme
Tema: Relacionamento
Subtemas: amor romântico , paixão.

Um filme apaixonante – Um belo lugar, lugares românticos, arte, espontaneidade, paixão em seus vários aspectos. Uma reflexão sobre os relacionamentos mornos e os encontros apaixonados. O anseio universal por um encontro amoroso romântico. Apesar dos compromissos com os “bons partidos” (homens e mulheres) e relacionamentos adequados, apesar da praticidade do mundo e de suas dificuldades, da falta de tempo e das uniões e relações superficializadas, o ser humano continua a sonhar, desejar e aspirar a intensidade das paixões ou dos encontros românticos.

O romantismo não morreu, mesmo que o comodismo, a rotina, a mesmice e a superficialização tenham entorpecido as relações. Apesar de tudo isto, esta força viva continua a se expressar, aparecendo de quando em vez surpreendendo e trazendo muitas vezes com ela tumulto, revolução de sentimentos e muitas vezes até mudança de vida.

Sem duvida, poetas, escritores e artistas em todas as suas expressões zelam e sustentam sua existência. Identificam-no como vida e a expressão de mil formas diferentes nas artes.

Mas todo o ser tem o mesmo dom de criar, se expressar e sentir, talvez não de forma tão brilhante, mas tem o poder de deixar que a vida se expresse numa pulsão e numa explosão de sentidos.

No filme tem uma reflexão interessante: ter um encontro amoroso tão intenso como o do casal de artistas não é uma garantia de poder sustentá-lo. A mesma situação foi mostrada no encontro afetivo do artista com Cristina e mais tarde no triângulo amoroso declarado. Em algum momento falta algo e o sonho não se sustenta.
Que ingrediente é este que falta? O que poderia fazer algo tão intenso e envolvente se manter vivo ou pelo menos possível? O que seria este “sal”?

Alguns autores diriam que este “sal” é o amor, o amor que inclui afeto, respeito mútuo, ternura, confiança, parceria, compartilhamento e ajuda mútua. Mas isto só é possível com muita coragem e entrega, o que é impossível em relacionamentos superficiais e acomodados e tambem para aqueles que são viciados na intensidade da paixão. Este sentimento só é possível a pessoas fortes e maduras emocionalmente. Este amor é coisa de adultos, de adultos emocionais.

Enquanto nossos sentimentos e emoções forem subdesenvolvidos, ou mesmo destrutivos, não há como sustentar a beleza dos relacionamentos.

Vivemos numa sociedade em que a prioridade da vida se recai sobre crescimento material e intelectual. O quanto investimos em vida pessoal, em vida emocional? Nos desenvolvemos material e intelectualmente através de muito esforço e dedicação. Por que achamos então que nos desenvolveremos emocionalmente de graça, isto é, sem esforço ou mesmo igual dedicação? Maturidade é fruto da experiência, da atenção voltada para o aprendizado a cada instante de nossas vidas. A maturidade emocional só se consegue da mesma forma, experimentando, vivendo, atento ao que acontece, atento ao que se sente, refletindo no que não deu certo, se apoderando de suas conquistas nesta área, buscando ajuda psicológica quando necessário, conversando com amigos e pessoas mais experientes, lendo sobre o assunto, interagindo com as pessoas, se expondo, e se expressando.

Nos relacionamentos, ter a sensação de que já se conhece tudo o que se tinha para conhecer, tudo o que se tinha para se desvendar no outro definha o sentimento. Enquanto existir algo a ser desvendado, há algo para se nutrir.

Autoconhecer-se, e então auto-revelar-se é uma forma de mantermos este alimento para os relacionamentos. Como o autoconhecimento é eterno, também poderíamos revelar-nos eternamente.

Quando esquecemos de nós mesmos e nos tornamos uma sombra do outro perdemos o brilho próprio e é natural que o outro se desinteresse. Portanto, apesar de existir outros fatores importantes, autoconhecimento e auto-estima são fatores mantenedores essenciais de um relacionamento aquecido. Mas tudo isto requer coragem para se autoconhecer, se preservar e se amar. E é necessário mais que isto, é necessário ter a coragem de viver, de se experimentar e se enfrentar.
Nem sempre é necessário romper com quem estamos, e sim romper com nossa acomodação interna, nosso medo de se entregar à vida e ao outro.

Este filme, como tantos outros, passa a mensagem que temos que continuar buscando a pessoa ideal, o par ideal e que o problema está em que não o achamos ainda. Esta busca exterior continua como na felicidade, algo a ser encontrado fora e não dentro de si mesmo. Será o outro e a vida as responsáveis pelo nosso desencontro? Quantos relacionamentos precisamos experimentar para encontrar a pessoa certa?

É possível até que já encontramos a pessoa “certa” e estamos a seu lado há muito tempo, mas transformamos este encontro em acomodação e rotina. Talvez a mudança tenha que ser feita em nós mesmos e na nossa forma de nos relacionar e não necessariamente trocando de parceria, apesar de que às vezes só nos resta enterrar o que já morreu ou que deixamos morrer.

É necessário ter a coragem para sentir e se entregar à intensidade da vida no outro, mas é igualmente necessário a coragem de se entregar ao outro na grandeza do amor que ao invés de intenso é profundo. Que ao invés de consumir e absorver o outro nos entregamos ao mesmo.

Por isso, é muito mais fácil gostar, ao invés de nos lançarmos à intesidade da paixão ou na profundidade do amor, é muito menos arriscado e menos trabalhoso. Mas como viver sem provar ou renunciar a intensidade ou a profundidade dos sentimentos?

Como viver sem sentir, se viver e sentir são a mesma coisa?

Por Flávio Vervloet





Um Beijo Roubado

30 07 2009

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Sinopse
Nova York. Jeremy (Jude Law) administra um pequeno café e restaurante. Muito irritada, Elizabeth (Norah Jones) descobre que seu namorado comeu lá com outra mulher. Zangada com a traição dele, ela rompe o namoro e deixa suas chaves com Jeremy, caso seu ex-namorado as queira de volta. Elizabeth retorna ao café várias vezes e ela e Jeremy começam a se sentir bem atraídos um pelo outro. Mesmo assim ela sai da cidade e então viaja de ônibus para Memphis, Tennessee, onde tem dois empregos, pois quer economizar para comprar um carro. Sem revelar onde vive ou trabalha, ela manda um cartão-postal para Jeremy, que fracassa ao tentar localiza-la. Elizabeth conhece pessoas como o policial Arnie Copeland (David Strathairn), que se tornou alcoólatra pois não aceita o fato de Sue Lynne (Rachel Weisz), sua esposa, tê-lo deixado. Elizabeth testemunha o trágico desdobramento desta separação e, já em Nevada, conhece Leslie (Natalie Portman), que adora jogar pôquer por garantir que sabe “ler” o rosto das pessoas.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/beijo-roubado/beijo-roubado.asp

Reflexões sobre o filme
Tema: Relacionamentos
Subtema: Dificuldade de deixar ir, de que a vida siga seu fluxo e de lidar com perdas.

O filme trata de personagens incomuns, sensíveis e humanas.Elizabeth sofre uma perda afetiva e tenta entender o porquê. Não se conforma com o acontecido, não conseguindo se vê sem aquela pessoa em sua vida. O policial Arnie Copeland se tornou alcoólatra, pois não aceita o fato de Sue Lynne sua esposa, tê-lo deixado. Sue Lynne se afasta do marido que a sufocava, ansiava se ver livre dele e com sua morte sente a dor de não ter mais a garantia de seu amor. Todos com dificuldade de deixar que a vida siga seu fluxo após uma perda afetiva.

Uma jogadora profissional, Leslie, que adora jogar pôquer por garantir que sabe “ler” o rosto das pessoas, mas que não conhece sequer a si própria, tem uma relação difícil com o pai que a ensinou a não confiar em ninguém. Também com dificuldade de deixar o passado de sua relação com este pai a que se mantém presa até a vida adulta, apesar de se achar livre.

Um pote de chaves perdidas à espera de fechaduras para serem abertas que Jeremy mantinha como uma forma de se manter ligado a Katya, seu antigo relacionamento que lhe falou sobre a importância de manter estas chaves guardadas.

O filme traz uma reflexão, sobre a importância de liberar o passado para viver o presente. Como se abrir para o novo ainda preso no passado? como se abrir para um novo relacionamento ainda com o coração ocupado pelo vinculo desfeito ou que não deu certo?É natural que levemos um tempo para cicatrizar nossas feridas, tempo esse que varia de pessoa para pessoa. Mas é comum muitas vezes prolongarmos este tempo e nos apegarmos ao passado, ao conhecido, mesmo que não tenha sido assim tão bom. Agarramo-nos ao conhecido porque, esse podemos controlar e aparentemente evitarmos o sofrimento. Nos fechamos para o novo na esperança de não sofrermos e muitas vezes sofremos ainda mais, remoendo a dor da perda.
Se permitir o luto da perda na maioria das vezes é a melhor forma de processarmos esta perda. Senti-la, vive-la, expressa-la até que ela seja absorvida e a experiência ganhe um sentido maior. Mas ao negá-la ou nos apegarmos a ela nos a prolongamos e a mesma não pode ser integrada.

Outra mensagem significativa do filme é a das tortas de blueberry que nunca são comidas porque todos preferem as de outros sabores, mas que todos os dias, mesmo assim, são feitas novamente, na insistência que lembra a importância do valor de todos os sabores e a importância das diferenças individuais. Traz para reflexão sobre o valor e a riqueza das diferenças. A importância de considerarmos que apesar dos sabores conhecidos e buscados, eleitos como os desejáveis, há também os sabores exóticos, incomuns que são muitas vezes os inesquecíveis. Todos nós temos, além de nossos sabores/qualidades comuns e expostos porque desejáveis pela maioria, sabores/qualidades incomuns e raros que nos fazem únicos. Se nos prendemos ao comum e conhecido como podemos provar o inusitado e inesquecível? A espontaneidade mora por traz do ato e comportamento comum e por isto mesmo seguro, mas como acessar a espontaneidade se agarrando no conhecido e seguro?

Elizabeth no filme ousava na sua diferença ser esta torta de sabor distinto de todas as outras e Jeremy também se identificava com esta diferença, por isto insistia em mantê-la pronta em oferta apesar de não comê-la. O nome do filme (My Blueberry Nights) é uma referencia a importância desta diferença rejeitada por ser incomum, mas de igual valor.

Por Flávio Vervloet





Shakespeare Apaixonado

30 07 2009

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Sinopse
Shakespeare (Joseph Fiennes) sofre um bloqueio que o impede de escrever sua mais nova peça, uma história de amor com fim trágico. Tudo muda quando ele se apaixona por Lady Viola (Gwyneth Paltrow) e passa a utilizar suas tentativas de seduzi-la como inspiração.

Fonte:http://www.adorocinema.com/filmes/shakespeare-apaixonado/shakespeare-apaixonado.asp

Reflexões sobre o filme
Tema: Relacionamento
Subtema: Amor Romântico, dificuldade de sustentar o amor, sobrevivência dos bons sentimentos mesmo na perda afetiva

O filme retrata, como a peça de Shakespeare, o amor romântico e o amor impossível. Este tema traduz um dos grandes sofrimentos do ser humano: a sua dificuldade de encontrar, viver e sustentar o amor. Da mesma forma que no texto de Shakespeare e no filme, na vida, o amor é comumente frustrado. Quem não sofreu a frustração de um amor que é “impedido”? No texto, impedido pelo destino, pelos fatores externos e sociais, da mesma forma que na vida de muitos casais. Porém mais comumente é impedido pelos nossos próprios equívocos e distorção internas.

A frustração do amor e seu impedimento é uma vivencia universal e arquetípica, é uma dor que já passamos ou iremos passar. Transformamos o amor romântico em fantasia, em um desejo de amor perfeito, absoluto e curador de todas as nossas carências e feridas íntimas.

Acontece que, com o convívio, os príncipes viram sapos e as princesas se tornam bruxas, as fantasias se quebram e o coração humano se despedaça. Isto confirma que o amor romântico não existe? Ou demonstra nossa imaturidade para sustentá-lo? Será que por trás do amor fantasioso e tão frágil não existe um amor mais realista e poderoso? Será que, se existe esse amor, ele não tem que acolher a imperfeição humana e da vida, não tem que acolher os dois lados da dualidade? Um amor que aceite e sustente falhas humanas e emoções diversas, boas e difíceis sem destruição mútua.

O filme, diferente da peça original de Shakespeare, traz um outro possível final menos trágico e dramático (onde morrem os amantes), não que a vida não possa comportar a tragédia. Este final alternativo indica um amor que não morre com a impossibilidade e o afastamento. Um amor que sobrevive a perda e talvez até ao fracasso do relacionamento. Um amor que guarda na memória os momentos bons do que foi vivido e experimentado e procura viver a vida da melhor forma possível, se desligando do passado, mas não do bom fruto deste passado que pode permanecer vivo como um tesouro conquistado e que traz com ele luz para outras experiências do presente e futuro.

É sustentar o bom sem destruir o sentimento para suportar a dor. Quando destruímos o bom, o bem vivido, o fazemos na esperança de sustentarmos a perda e a dor, mas igualmente soterramos a esperança de amar e colorirmos de novo a vida.
É muito comum as pessoas desesperadamente concluírem que nunca amaram quem perderam, e se desfazerem de tudo para seguirem em frente, mas aos pedaços. Será que precisamos destruir o que nos frustrou? Será o amor o culpado ou são nossas ilusões e fantasias as responsáveis pelas nossas dores? Amor é sentimento, é um ato de entrega e coragem. Coragem não necessariamente para se lançar ao sabor dos sentimentos e impulsos, mas coragem de enfrentar a si mesmo e as próprias ilusões infantis.

Por Flávio Vervloet





Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças

30 07 2009

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Sinopse
Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) formavam um casal que durante anos tentaram fazer com que o relacionamento entre ambos desse certo. Desiludida com o fracasso, Clementine decide esquecer Joel para sempre e, para tanto, aceita se submeter a um tratamento experimental, que retira de sua memória os momentos vividos com ele. Após saber de sua atitude Joel entra em depressão, frustrado por ainda estar apaixonado por alguém que quer esquecê-lo. Decidido a superar a questão, Joel também se submete ao tratamento experimental. Porém ele acaba desistindo de tentar esquecê-la e começa a encaixar Clementine em momentos de sua memória os quais ela não participa.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/brilho-eterno/brilho-eterno.asp

Reflexões sobre o filme

Tema: Relacionamento
Subtemas: Separação, Rupturas, Amor, Esquecimento

O filme traz uma reflexão sobre relacionamentos de uma forma original. Demonstra que existe algo mais do que a atração das pessoas a partir de suas neuroses e situações emocionais inacabadas de sua história pessoal. (Teoria esta que nega ou questiona a existência do sentimento do amor entre as pessoas, insinuando que os relacionamentos são apenas um atendimento de nossas necessidades psicológicas, sociais ou instintivas).

Traz a existência do amor além destas necessidades.
Teoriza que, mesmo esquecendo do passado e de nossas lembranças, somos atraídos para as mesmas pessoas e pelo que elas potencialmente despertam em nós.

Nosso brilho pessoal muitas vezes se encontra soterrado em nosso íntimo por inúmeras razões. E é necessário o outro para despertar em nós o nosso melhor e o nosso pior (o segundo para termos a chance de transformá-lo).

Como um espelho, o outro (geralmente o oposto) reflete para nós nossas dificuldades e aquilo que negamos e ocultamos em nós. Esta proximidade traz a princípio o encantamento (fase da paixão), período em que a diferença nos encanta e nos desafia. Com o tempo esta mesma diferença traz a frustração, o cansaço e o incomodo a ponto de até odiarmos o outro. Ódio este que não necessariamente significa perda de amor, mas o incômodo porque as coisas não são como desejaríamos que fossem e é mais uma revolta decorrente de uma desilusão, de uma idealização que fizemos do outro.

Nesta hora relembrar dos bons momentos ajuda, já que a desilusão só nos mostra os ruins. E aceitar o bom e o ruim no outro, como partes integrantes da mesma pessoa, nos permite valorizar o sentimento existente e retornarmos à relação numa direção mais madura e construtiva sobre novas bases.

É nesse ponto que muitos relacionamentos terminam, onde as mágoas distanciam o casal a tal ponto que se perde o caminho de volta.

O filme nos traz uma reflexão: Há um brilho eterno na alma humana que possibilita os relacionamentos de uma forma significativa e profunda, além das forças de atração psicológicas das lembranças.

Será que estamos dispostos a segui-lo?

Por Flávio Vervloet

 





Banquete do Amor

30 07 2009

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Sinopse
Em uma pequena comunidade do Oregon vive Harry Stevenson (Morgan Freeman), um professor que testemunha tudo o que acontece no local. Aos poucos Harry acompanha os movimentos decorrentes nos habitantes da comunidade devido às artimanhas do amor.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/banquete-do-amor/banquete-do-amor.asp

Reflexões sobre o filme

Tema: Relacionamentos, amor romântico e paixões.

Um filme que trata especificamente sobre o tema relacionamentos e o amor.
Das várias formas em que ele se apresenta na vida. Dos encontros e desencontros, das ilusões e desilusões, das ações diversas moldadas por seu intermédio. Faz uma reflexão sobre como cada um responde de forma distinta a força do sentimento. No entanto, coloca o amor como um grande mistério, com seus caprichos. Será que os caprichos do amor são dele mesmo ou da forma que cada um o filtra, o sente e expressa?

O filme coloca como se a questão do amor fosse somente uma escolha certa, em que o casal se encaixa perfeitamente. Daí é feliz quem está desperto e sabe enxergar este encaixe perfeito, e que a paixão é o maior sinal deste encaixe. Mostra que esta paixão também se engana, mas não tão claramente neste filme. Este é um tema comum em filmes, o que tem de diferente neste?

Mostra várias formas de amor:
Um casal de amantes que se ligam através se sua intensidade e volúpia, que enxergam aí o amor e não quando ele é leve e tranqüilo. Um homem dócil e amoroso que enxerga o amor em relações onde não é valorizado, onde enxerga mais sua carência e necessidade de companhia que o sentimento de quem se relaciona. Um casal de jovens que se apaixonam, e se entregam profundamente e vêem aí amor.
Um casal de mais idade que sustenta um relacionamento maduro de respeito e admiração. Um casal de mulheres que se apaixonam talvez não só pela atração mútua, mas também pelo intenso desejo de uma delas de ser vista.

O quanto daria certo cada um destes encontros, principalmente os recentes, não é o foco deste filme, mas as formas diferentes das pessoas se ligarem afetivamente e a força do amor. Demonstra na atitude da jovem a grandeza do amor que se entrega, mesmo suspeitando profundamente que poderia perdê-lo. Da grandeza do amor de um casal idoso que acolhem esta jovem mulher gravida, dispostos a adotá-la como filha. Será que a paixão sem o amor sustenta esta entrega?  Será que o amor sem a paixão se aventura ao novo e as mudanças? Parece que a paixão e o amor são igualmente valiosos.

A paixão talvez não se sustente muito tempo sem que seja substituída pelo amor. Tem vida mais curta e se sustenta somente na medida em que existe o desconhecido, algo a ser descoberto. Mas ela tem a força da transformação, a coragem do enfrentamento e a ousadia de superar os obstáculos e o medo. A paixão é vista com suspeita pelos que nunca se apaixonaram, pelos que se apaixonaram e se decepcionaram e por aqueles que receiam sua intensidade e poder de mudanças, os que vêem nela perigo e ameaça a tradições. No entanto, a paixão ousa a ir além do conhecido, aceito, permitido, do possível e desejável, uma força que pode transgredir as regras, as normas, o estabelecido e a estabilidade da tradição. Mas é também um sentimento egocêntrico e somente dirigido ao outro, ao foco da paixão, onde todo o resto é secundário e excluído por um tempo. É um desejo de consumir e absorver o outro, uma atração irresistível, um fogo que arde e queima o corpo e seqüestra os pensamentos, sentimentos, emoções e ações de quem o sente.

Dá a coragem para enfrentar quaisquer coisas, afasta o medo e traz à tona capacidades antes adormecidas e entorpecidas pela acomodação. Mas apesar de todo este poder, uma vez que o outro (foco da nossa paixão), é desvendado ou pretensamente desvendado, o novo, o conhecido, o mistério se esvai. E a paixão se definha e passamos a enxergar todos os defeitos, que antes não víamos e não mais nos sentimos vistos, amados e aceitos. Nesta altura o amor (de entrega) se não tiver acontecido e não for cultivado, o relacionamento e esfria e cada um se fecha em seu mundo pessoal, e com o passar do tempo nem mesmo o sexo, por melhor que seja, sustenta a relação e o casal se distancia. Por isto mesmo, quem não conhece o amor como entrega e doação, busca incessantemente novas paixões na esperança de encontrar a pessoa correta, o par definitivo.

Da mesma forma que desconfiam da paixão, desconfiam também deste tipo de amor que é entrega e doação. Principalmente os que nunca amaram assim, os que amaram e depois perderam e principalmente os que vêem este tipo de entrega como arriscado, como uma expressão de fraqueza e submissão ao outro e a vida. Este tipo de amor tem uma grandeza única, que faz da entrega um ato de coragem extrema ante a vida, uma confiança inominada. Esta entrega desafia não mais as convenções e tradições, mas a pequenez, os limites humanos, enfrenta a vida e a morte, enfrenta o tempo e o espaço,a a própria realidade limitada de nossa compreensão.

É este o sentimento que nos faz sustentar qualquer dor, dificuldade ou sofrimento, e dá sentido ao que não entendemos. Se a paixão nos dá forças para enfrentarmos a inércia e o medo de enfrentar os obstáculos ao prazer e a consumação do desejado, o amor que entrega dá forças para enfrentar a dor e as dificuldades da vida e dá sentido a tudo. O filme reflete algo interessante: sexo, paixão, amor de entrega é tudo amor. Cada um e em cada momento se expressando diferente, de acordo com o alcance ou o momento de cada um. Não existe jeito certo ou errado, existe sim uma busca incessante e infinita de amar e ser amado, que nos torna todos iguais e nos irmana.

Por fim, reflete o relacionamento de pais respeitosos e “socráticos” com seu filho que acaba morrendo de overdose. Questionando de maneira significativa a importância de não compensarmos a educação invasiva e autoritária recebida, com uma educação respeitosa, mas que não se arrisca em se colocar, em opinar, ou por limites por receio, mas que acaba por se omitir, desprotegendo, dando ao outro a provável sensação de abandono. Relacionar-se amorosamente é fazer-se presente , arriscar-se, errar e ser inadequado, é se envolver e estar disposto a encontrar o caminho do coração e não do que é certo. É lançar-se no desconhecido, confiante no poder do que somos em nossa imperfeição humana.

Por Flávio Vervloet