Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças

30 07 2009

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Sinopse
Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) formavam um casal que durante anos tentaram fazer com que o relacionamento entre ambos desse certo. Desiludida com o fracasso, Clementine decide esquecer Joel para sempre e, para tanto, aceita se submeter a um tratamento experimental, que retira de sua memória os momentos vividos com ele. Após saber de sua atitude Joel entra em depressão, frustrado por ainda estar apaixonado por alguém que quer esquecê-lo. Decidido a superar a questão, Joel também se submete ao tratamento experimental. Porém ele acaba desistindo de tentar esquecê-la e começa a encaixar Clementine em momentos de sua memória os quais ela não participa.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/brilho-eterno/brilho-eterno.asp

Reflexões sobre o filme

Tema: Relacionamento
Subtemas: Separação, Rupturas, Amor, Esquecimento

O filme traz uma reflexão sobre relacionamentos de uma forma original. Demonstra que existe algo mais do que a atração das pessoas a partir de suas neuroses e situações emocionais inacabadas de sua história pessoal. (Teoria esta que nega ou questiona a existência do sentimento do amor entre as pessoas, insinuando que os relacionamentos são apenas um atendimento de nossas necessidades psicológicas, sociais ou instintivas).

Traz a existência do amor além destas necessidades.
Teoriza que, mesmo esquecendo do passado e de nossas lembranças, somos atraídos para as mesmas pessoas e pelo que elas potencialmente despertam em nós.

Nosso brilho pessoal muitas vezes se encontra soterrado em nosso íntimo por inúmeras razões. E é necessário o outro para despertar em nós o nosso melhor e o nosso pior (o segundo para termos a chance de transformá-lo).

Como um espelho, o outro (geralmente o oposto) reflete para nós nossas dificuldades e aquilo que negamos e ocultamos em nós. Esta proximidade traz a princípio o encantamento (fase da paixão), período em que a diferença nos encanta e nos desafia. Com o tempo esta mesma diferença traz a frustração, o cansaço e o incomodo a ponto de até odiarmos o outro. Ódio este que não necessariamente significa perda de amor, mas o incômodo porque as coisas não são como desejaríamos que fossem e é mais uma revolta decorrente de uma desilusão, de uma idealização que fizemos do outro.

Nesta hora relembrar dos bons momentos ajuda, já que a desilusão só nos mostra os ruins. E aceitar o bom e o ruim no outro, como partes integrantes da mesma pessoa, nos permite valorizar o sentimento existente e retornarmos à relação numa direção mais madura e construtiva sobre novas bases.

É nesse ponto que muitos relacionamentos terminam, onde as mágoas distanciam o casal a tal ponto que se perde o caminho de volta.

O filme nos traz uma reflexão: Há um brilho eterno na alma humana que possibilita os relacionamentos de uma forma significativa e profunda, além das forças de atração psicológicas das lembranças.

Será que estamos dispostos a segui-lo?

Por Flávio Vervloet

 

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A Vila

30 07 2009

Avila

Sinopse
Em 1897 uma vila parece ser o local ideal para viver: tranqüila, isolada e com os moradores vivendo em harmonia. Porém este local perfeito passa por mudanças quando os habitantes descobrem que o bosque que o cerca esconde uma raça de misteriosas e perigosas criaturas, por eles chamados de “Aquelas de Quem Não Falamos”. O medo de ser a próxima vítima destas criaturas faz com que nenhum habitante da vila se arrisque a entrar no bosque. Apesar dos constantes avisos de Edward Walker (William Hurt), o líder local, e de sua mãe (Sigourney Weaver), o jovem Lucius Hunt (Joaquin Phoenix) tem um grande desejo de ultrapassar os limites da vida rumo ao desconhecido. Lucius é apaixonado por Ivy Walker (Bryce Dallas Howard), uma jovem cega que também atrai a atenção do desequilibrado Noah Percy (Adrien Brody). O amor de Noah termina por colocar a vida de Ivy em perigo, fazendo com que verdades sejam reveladas e o caos tome conta da vila.

FONTE: http://www.adorocinema.com/filmes/vila/vila.asp

Reflexões sobre o filme

Este filme reflete a tendência comum do ser humano em tentar encobrir o mal, negando, escondendo, fugindo e ocultando-o como um segredo.No filme, a vila é uma tentativa de criação de um local, um mundo ou uma realidade sem maldade, sem distorções, onde somente o bem e a inocência tenham lugar, como um oásis no meio de um deserto, um lugar puro em meio à feiúra do mundo e da realidade humana.

Segundo Jung, tudo que negamos em nós, coisas boas e ruins, viram nossas sombras. Afirma também que é da natureza humana termos múltiplos aspectos polarizados e contrários. Tendemos em nosso dualismo negar o mal em vez de transformá-lo e integrá-lo. Desta forma, escondemos este nosso aspecto como um segredo que deve ser escondido a sete chaves, já que o tememos e sentimos dele vergonha.

Temos vergonha exatamente do que nos faz humanos. Ter o mal dentro de si não significa que tenhamos que atuá-lo ou usá-lo de forma destrutiva. Ao aceitar que isto é uma característica humana, podemos trazer às claras este aspecto, diminuir sua força e ter alguma escolha sobre ele. Aceitar sua existência sem negá-lo ou escondê-lo traz para nós força e coragem, escondê-lo gera medo e fraqueza.

Há linhas de psicoterapia que trabalham com estes aspectos sombrios quando necessitamos de ajuda externa. Mas procurar estar na verdade e termos a coragem de olhar e reconhecer nossas distorções sem culpa é algo que todos podemos fazer e é uma ação realista que nos fortalece.

Quantas pessoas, famílias, grupos, comunidades e sociedade são enfraquecidas pelos seus segredos. Os segredos geram pensamentos, mentiras, contaminam a confiança entre pessoas e a própria autoconfiança. Há um grande alívio quando nos liberamos do cárcere de nossos segredos e isto nos torna mais honrados .

A nossa honra está em sermos íntegros e verdadeiros, mesmo que falhos e humanos. Nossa honra não está na aparência e em nosso anseio de perfeição. No filme, um dos “anciãos” conclui: “perdi lá fora um familiar e aqui já perdi vários. Aprendi que o sofrimento faz parte da vida.”

Na “vila”, criaram uma realidade a parte, sustentada pelo terror e mentira com o intuito de encobrir a realidade comum e se afastar de uma sociedade violenta. Criaram uma comunidade “pura” e “inocente”, onde seus habitantes são humanos e imperfeitos, onde mais cedo ou mais tarde, o crime brota como uma realidade não transformada no coração e atos dos homens.

É mais fácil escravizarmo-nos do terror de um monstro externo que se perpetua na ignorância que enfrentar o “monstro” interno que poderia ser transformado. Ninguém precisa aceitar ou gostar da violência social e nem se adaptar a ela como algo desejável ou comum. Mas queiramos ou não a violência social é um reflexo de seus membros. A violência externa é o resultado da violência interna não transformada. Mas como transformar a violência interna sem aceitar sua existência como uma realidade humana? Como transformar a violência externa sem aceitá-la como fruto da “doença” individual de todos os seus membros e não de somente uma parte que tem que ser excluída, banida e castigada? Podemos até procurar proteção criando condomínios fechados, altos muros e fortalezas para nos afastarmos do fruto que nós mesmos ajudamos a criar. Mas levamos o inimigo dentro de nós para dentro da fortaleza, já que é parte de nossa natureza humana.

Como fortalecer o amor e a inocência em meio à mentira? Como preservar a inocência e proteção de nossos filhos sem ensiná-los a lidar com suas próprias destrutividades internas? Quanto tempo podemos afastá-los ou apartá-los do perigo, isolando-os da realidade humana à qual pertencem?

Por fim, o filme mostra uma saída no amor, que move montanhas, na cegueira que enxerga com os olhos da sabedoria dos sentimentos, e da coragem que se fortalece não no aparente bom senso, mas no ato humano de fazer o que tem que ser feito para preservar a vida digna sem medos.

Por Flávio Vervloet