Shakespeare Apaixonado

30 07 2009

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Sinopse
Shakespeare (Joseph Fiennes) sofre um bloqueio que o impede de escrever sua mais nova peça, uma história de amor com fim trágico. Tudo muda quando ele se apaixona por Lady Viola (Gwyneth Paltrow) e passa a utilizar suas tentativas de seduzi-la como inspiração.

Fonte:http://www.adorocinema.com/filmes/shakespeare-apaixonado/shakespeare-apaixonado.asp

Reflexões sobre o filme
Tema: Relacionamento
Subtema: Amor Romântico, dificuldade de sustentar o amor, sobrevivência dos bons sentimentos mesmo na perda afetiva

O filme retrata, como a peça de Shakespeare, o amor romântico e o amor impossível. Este tema traduz um dos grandes sofrimentos do ser humano: a sua dificuldade de encontrar, viver e sustentar o amor. Da mesma forma que no texto de Shakespeare e no filme, na vida, o amor é comumente frustrado. Quem não sofreu a frustração de um amor que é “impedido”? No texto, impedido pelo destino, pelos fatores externos e sociais, da mesma forma que na vida de muitos casais. Porém mais comumente é impedido pelos nossos próprios equívocos e distorção internas.

A frustração do amor e seu impedimento é uma vivencia universal e arquetípica, é uma dor que já passamos ou iremos passar. Transformamos o amor romântico em fantasia, em um desejo de amor perfeito, absoluto e curador de todas as nossas carências e feridas íntimas.

Acontece que, com o convívio, os príncipes viram sapos e as princesas se tornam bruxas, as fantasias se quebram e o coração humano se despedaça. Isto confirma que o amor romântico não existe? Ou demonstra nossa imaturidade para sustentá-lo? Será que por trás do amor fantasioso e tão frágil não existe um amor mais realista e poderoso? Será que, se existe esse amor, ele não tem que acolher a imperfeição humana e da vida, não tem que acolher os dois lados da dualidade? Um amor que aceite e sustente falhas humanas e emoções diversas, boas e difíceis sem destruição mútua.

O filme, diferente da peça original de Shakespeare, traz um outro possível final menos trágico e dramático (onde morrem os amantes), não que a vida não possa comportar a tragédia. Este final alternativo indica um amor que não morre com a impossibilidade e o afastamento. Um amor que sobrevive a perda e talvez até ao fracasso do relacionamento. Um amor que guarda na memória os momentos bons do que foi vivido e experimentado e procura viver a vida da melhor forma possível, se desligando do passado, mas não do bom fruto deste passado que pode permanecer vivo como um tesouro conquistado e que traz com ele luz para outras experiências do presente e futuro.

É sustentar o bom sem destruir o sentimento para suportar a dor. Quando destruímos o bom, o bem vivido, o fazemos na esperança de sustentarmos a perda e a dor, mas igualmente soterramos a esperança de amar e colorirmos de novo a vida.
É muito comum as pessoas desesperadamente concluírem que nunca amaram quem perderam, e se desfazerem de tudo para seguirem em frente, mas aos pedaços. Será que precisamos destruir o que nos frustrou? Será o amor o culpado ou são nossas ilusões e fantasias as responsáveis pelas nossas dores? Amor é sentimento, é um ato de entrega e coragem. Coragem não necessariamente para se lançar ao sabor dos sentimentos e impulsos, mas coragem de enfrentar a si mesmo e as próprias ilusões infantis.

Por Flávio Vervloet

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