Show de Truman

30 07 2009

64Sinopse
Pacato vendedor de seguros (Jim Carrey) tem sua vida virada de cabeça para baixo quando descobre que é o astro, desde que nasceu, de um show de televisão dedicado a acompanhar todos os passos de sua existência.

http://www.adorocinema.com/filmes/show-de-truman/show-de-truman.asp

Reflexões sobre o filme

Muitas reflexões poderiam ser feitas neste filme, mas ficando com os aspectos psicológicos gostaria de refletir sobre o que se chama de auto-imagem. Um dos momentos mais dramáticos do filme Thrumam ele pergunta: tudo aquilo não foi real?
Esta sensação de ter sido enganado, de que tudo não passou de uma fantasia e que de uma hora para outra o que acreditávamos foi colocada em dúvida, a maioria das pessoas em algum momento já sentiu e se ainda não, é possível que venham sentir.

O que tem o show de Thrumam a ver conosco? Ele vivia uma realidade criada e mantida pelo seu idealizador, que o levava a pensar que era real. Thruman construiu sua realidade e a percepção de si mesmo, sua auto-imagem, a partir dos estímulos de seu meio que foi inventado e era falso. Da mesma forma criamos nossa realidade e percepção de nós mesmos a partir dos estímulos do nosso meio, principalmente na infância, e muitas destas construções são interpretações distorcidas da realidade vivida.

Nossas crenças sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o mundo são construídas principalmente nesta fase e reforçadas depois ao longo de nossa vida. Criamos uma auto-imagem que de uma certa forma nos garante ou pretende garantir a nossa sobrevivência e a nossas adaptação ao nosso meio. Esta adaptação ou pretensa solução visa a tornar nossa vida mais fácil e é moldada pelo convívio com nossos pais, ou tutores, familiares, parentes, professores e amigos.

Passamos desde então a acreditar que o que acreditamos sobre nós mesmos, sobre o outro e o mundo é totalmente real e verdadeiro até que a vida e os acontecimentos mostrem algo diferente,e isto as vezes faz nosso mundo virar. O Show de Thrumam é um laboratório do que acontece naturalmente em nossas vidas. Colocaram uma pessoa ao invés de um rato como cobaia de um experimento, só que os motivos aparentemente foram outros. Seu idealizador colocou justificativas filosóficas para brincar de Deus.

Podemos aqui fazer algumas perguntas a nós mesmos: tudo o que acreditamos sobre a vida, nós mesmos e os outros é de fato verdadeiro? O que buscamos ardentemente na vida são de fato nossas necessidades? O que fazemos, nosso trabalho é de fato algo que tem a ver conosco? Somos somente o que percebemos sobre nós mesmos e o que é confirmado pelos outros? Responder estas perguntas é importante para não ficarmos sem chão no futuro. E se não temos as respostas, talvez importa refletir nas perguntas até que algo se clareie.

Por Flávio Vervloet

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