FOGO SAGRADO

10 10 2011

Sinopse

Ruth Barron, uma bela jovem que mora com os pais e irmãos no pequeno vilarejo de Sans Souci, na Austrália, sente que algo está faltando em sua vida, mais especificamente na cultura ocidental.  Decide, então, viajar para a Índia onde se integra à legião de fanáticos de um guru, Chidaatma Baba.  Lá, ela passa a se chamar Nazni e a se vestir com o sári, traje nacional das mulheres indianas.

Seus familiares ficam alarmados e tomam a decisão de reconquistar sua filha, utilizando os serviços de um conselheiro espiritual americano, P. J. Waters.

(para ler mais clique no link abaixo)

http://www.65anosdecinema.pro.br/1617-FOGO_SAGRADO_%281999%29

 

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Reflexões sobre o filme

Todos nós possuímos aspectos ainda não conhecidos ou integrados na consciência. Um desses aspectos, nosso lado destrutivo, nos traz muitos problemas e sofrimentos. Para alcançarmos uma vida plena e feliz, é muito importante conhecê-lo e identificar onde ele atua em nossa vida. Esse aspecto que podemos chamar de “eu destrutivo” tem muita força e vitalidade, é muito antigo e faz parte da nossa humanidade. (clique para ver mais)

O filme Fogo Sagrado é rico em conteúdos, principalmente relacionados com a sombra e as distorções humanas,  ressaltando a sexualidade e o prazer atrelado a dor.

O personagem PJ (Harvey Keitel) representa o estereótipo da “máscara do poder distorcido” ou defesa da agressividade. Possui comportamento presunçoso, se acha o “dono da verdade”, acredita que tenha controle das situações, que seja bem sucedido em tudo que faz, aparenta ser forte, durão, usa da vontade e inteligência para garantir o cumprimento de suas metas. Acredita dessa forma, que tenha controle suas emoções e busca controlar o mundo.  Confia que detém o saber, as certezas e superestima suas qualidades de gerenciamento de si mesmo.

PJ Waters sabia do risco ao aceitar a tarefa de resgatar Ruth das influências do guru indiano e trazê-la de volta a realidade, sobretudo sozinho. Cedeu, no entanto, motivado provavelmente por se tratar de um desafio e por encantar-se com a beleza e jovialidade dela.

A personagem Ruth (Kate Winslet) poderia dizer que representa o estereótipo da distorção da “máscara amor” ou a defesa da submissão. Possui um comportamento simpático, sensível, emocional, não se valoriza o suficiente, comunicativa, alegre, envolvente, amorosa, anseia ser acolhida e salva. É sonhadora e tende a entregar seu próprio poder nas mãos do outro e assim ter garantias de ser amada, mesmo que de forma fantasiosa.

Sua mãe complementa esse tipo de defesa (máscara do amor) com a manipulação pela culpa e vitimização,  somatização com intuito de controle, lamentação, submissão, dependência, necessidade de agradar, ingênua, não tem acesso  a raiva, tem dificuldade em dizer não e colocar limites,  sensibilizando os outros para sua dor.

No desenrolar do filme na tarefa de resgatar e salvar a sanidade de Ruth , PJ vai perdendo a sua própria sanidade e mergulhando nas suas próprias sombras e distorções.

Ruth dá espaço também para que sua sombra  e distorções se revele a medida em que a batalha entre ambos se trava num verdadeiro duelo ou jogo de braço, saindo da proposta inicial, o aspecto religioso e indo para o sexual.

O enredo do filme nos dá a oportunidade de conhecer a distorção por trás da defesa,  principalmente do poder (agressividade) e da amorosidade (submissão). Essas distorções normalmente são inconscientes, não sendo assim percebidas pelas pessoas.

No personagem PJ, fica evidente o comportamento de abuso de poder, coação e opressão, dureza,  subjugação, sedução para controle, comportamento invasivo, competição, vaidade excessiva, sexo desconectado de afeto como consumo de prazer pelo prazer (com Yvonne).

A personagem Ruth, evidencia o comportamento sedutor para obtenção do seu desejo, dissimulação,  negando suas próprias distorções, obstinação atendendo seus próprios anseios sem cuidar do seu equilíbrio e sentimento de superioridade espiritual.

No duelo entre os personagens principais, vai desvelando mais e mais o lado destrutivo como defesa extrema para proteção da dor. Esse aspecto,  poderíamos chamar do “eu inferior” ou “lado sombrio da sombra”.

Esse lado fica explícito quando o personagem PJ manifesta crueldade ativa, endurecimento, congelamento e entorpecimento dos sentimentos,  disputa destrutiva, malícia, prazer associado a dor, rendimento como forma de conquista, auto-desqualificação, autopunição, auto humilhação e descontrole.

A personagem Ruth também manifesta crueldade ativa,  através da humilhação, endurecimento, congelamento e entorpecimento dos sentimentos, disputa destrutiva, vingança, malícia, desprezo, raiva ferina, sedução para subjugar, prazer no jogo de envolver sem se entregar e assim obter controle e poder.

Quando a máscara e auto-imagem idealizada de PJ Waters se quebram, mergulha na vulnerabilidade, na dependência, na derrota, na humilhação (o que provavelmente sempre evitou). Conecta seu desamparo original e desmonta, ficando totalmente a mercê  de ser acolhido e visto por ela.

Ruth, que inicialmente se deliciava com seu poder e triunfo, entra também na dor (com o pedido de PJ para que seja “amável”), com isso fica vulnerável, permitindo a quebra da sua autoimagem de “boa pessoa” e percebendo mais profundamente seu congelamento afetivo, além de maior percepção da sua capacidade destrutiva.

O ápice do filme é quando Ruth sensibilizada pelo estado de PJ Waters,  entra em conexão com seu self (Eu Superior) e permite vir a tona as virtudes reais de amor e compaixão e dessa forma pode acolher verdadeiramente, permitindo a expressão de sua verdadeira natureza.

No final, em posse do seu Eu Real (Eu superior + Eu inferior), Ruth, retoma sua busca espiritual a partir de valores mais reais e verdadeiros. PJ Walters é perdoado por sua companheira, torna-se pai de gêmeos, escreve o segundo livro sobre “Um homem e seu anjo vingador’. De alguma forma ambos foram “vencedores” no final, pois somente através da exteriorização dos nossos conflitos e distorções que poderemos fazer as transformações necessárias. O filme nos mostra a humanização dos personagens principais,  na medida em que permite a exteriorização do lado destrutivo e também dos aspectos saudáveis da natureza humana.

Por Flávio Vervloet

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Ações

Information

2 responses

11 10 2011
Eliana Borelli

Belo trabalho!

18 10 2011
Roberto Sampaio

Perfeição rara. O filme também anda raro.
Não sei como algo assim como ser para poucos…

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