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13 09 2013
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Ano de produção  2012

Dirigido por  Gauri Shinde

Com  SrideviAdil HussainMehdi Nebbou

Gênero  Drama , Comédia

Nacionalidade  Índia

Uma mulher passa por grandes dificuldades na sociedade onde vive, por ser tímida e por não falar inglês. As circunstâncias forçam-na a afirmar sua independência, inscrevendo-se em um curso de inglês e provando ao mundo que ela é tão capaz quanto qualquer outra mulher.

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-208664/

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Indicação

Um filme leve, divertido, bem-humorado e, à primeira vista, despretensioso. Apesar de repleto de clichês, nos conduz a uma profunda reflexão sobre os papéis masculino/feminino, do que aprendemos a denominar atividade/passividade e também sobre a possibilidade de um mundo onde não haja “excluídos”, onde os seres humanos se amem e  respeitem as singularidades de cada um. Shashi é a representante de um universo onde a submissão e a anulação de sua identidade são regras para as mulheres. Ela vive a privação e a insatisfação de sequer tentar se realizar e perseguir seus anseios e sonhos. Se vitimiza e delega ao outro o reconhecimento de seu próprio valor, até que as circunstâncias da vida a empurram para uma tomada de decisão: é ficar congelada no velho e conhecido lugar de vítima ou se arriscar e assumir a responsabilidade por suas escolhas, tomando as  rédeas do próprio destino. A partir daí ela se decide e caminha rumo à sua autonomia. O caminho nem sempre será fácil, porém, trará consigo um enorme sentimento de amor-próprio e mais-valia.

Por Giselle Soares Oliveira – Regional Goiás

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9 – A Salvação

15 01 2011

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Gênero: Animação, Aventura, Fantasia e Ficção Científica
Duração: 79 min.
Origem: Estados Unidos
Estréia 09 de Outubro de 2009
Direção: Shane Acker
Roteiro: Pamela Pettler e Shane Acker
Produção: PlayArte
Censura: Livre
Ano: 2009

Sinopse

Quando o boneco 9 ganha vida, ele se encontra num mundo pós-apocalíptico em que os humanos foram dizimados. Por acaso, encontra uma pequena comunidade de outros como ele, que estão escondidos das terríveis máquinas que vagam pela Terra com a intenção de exterminá-los. Apesar de ser o novato do grupo, 9 convence os demais que ficar escondido não os levará a nada.

Eles devem tomar a ofensiva se quiserem sobreviver e, antes disso, precisam descobrir por que as máquinas querem destruí-los. Como eles saberão em breve, o futuro da civilização pode depender deles.

Fonte da sinopse e ficha técnica: http://cinema10.com.br/filme/9

Para ler mais: Animação “9 – A Salvação” é produzida por Tim Burton – O Globo – http://tinyurl.com/yblax8t

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Reflexões sobre o filme

Um filme de animação com diversão e profundidade. Com muitas mensagens e com muito material para reflexões.

O roteiro é de um futuro assolado por máquinas mortíferas que destroem a humanidade, neste filme, no entanto, há uma mensagem de esperança. A de que se unirmos as diferenças, dentro e fora de nós, criaremos força de renovação e vida. Um filme que pelo que tudo indica é baseado no Eneagrama ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Eneagrama ) que descreve os 9 tipos de personalidade.  Este sistema descreve a queda e a ascensão possível da consciência humana, segundo nove padrões.

Os nove bonecos sobreviventes foram criados a partir dos nove aspectos de seu criador, cada aspecto diferente e complementar aos outros. A máquina também foi criada a partir da distorção e limitações dos nove tipos, e representa a morte e a aniquilação. Vida e morte, construção e destruição, união e separação, dualidades explícitas no filme que aponta a escolha da integração e união como antídoto para o mal.

Há uma fala que se repete muitas vezes no filme “busque na fonte…”. Na fonte está a resposta – no criador, na alma, no espírito do homem.

Ao “pacificador”, o tipo 9, ficou a tarefa de agregar o grupo e levá-los à meta de salvar os integrantes e destruir o monstro. No entanto,   só com a união das qualidades de cada tipo, o 9 pode levar a cabo sua missão. E curiosamente o monstro era movido pela “vida” de cada tipo em distorção. A luta entre os 9 e a máquina lembra o mito do herói enfrentando seus dragões, simbolizando a luta e batalha interior pela supremacia do bem.

Um filme encantador que vale a pena ser visto.  O diretor é Tim Burton, um nome  já bastante conhecido,  dirigiu  “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, “A Noiva Cadáver” e  “O estranho mundo de Jack”, entre outros. Divirta-se e inspire-se.

Por Flávio Vervloet





Dúvida

12 10 2009

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Sinopse

O carismático padre Flynn (Philip Seymour Hoffman) tenta acabar com os rígidos costumes da escola St. Nicholas, localizada no Bronx. A diretora do local é a irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), que acredita no poder do medo e da disciplina. A escola aceitou recentemente seu primeiro aluno negro, Donald Miller (Joseph Foster), devido às mudanças políticas da época. Um dia a irmã James (Amy Adams) conta à diretora suas suspeitas sobre o padre Flynn, de que esteja dando atenção demais a Donald. É o suficiente para que a irmã Aloysius inicie uma cruzada moral contra o padre, tentando a qualquer custo expulsá-lo da escola.

Fonte da sinopse: http://www.adorocinema.com/filmes/duvida/duvida.asp

Reflexões sobre o filme

Este é um filme inteligente e bem elaborado que nos induz à confusão e à dúvida ao longo de todo seu enredo. A irmã, desde o início, torna-se alvo de preconceito, pois somos levados a percebê-la como “megera” e o padre como “bonzinho”. Normalmente na vida, quando em dúvida, todos nós buscamos nos firmar em uma “verdade”, mesmo que encontrada ou construída por conclusões apressadas, para aliviarmos a ansiedade de não saber discernir o “certo” do “errado”. No caso do filme, a tese de que a irmã é megera e o padre é humano e inocente. No transcorrer da história, no entanto, os fatos vão se esclarecendo, vamos percebendo outros aspectos importantes, que nos faz não ter mais certeza de quem de fato é culpado ou inocente, bom ou mau. E podemos ver, ao final, que os três personagens principais têm verdades e distorções, de tal forma que não é tão simples julgá-los, tal como achávamos ou gostaríamos.

O filme retrata a complexidade da verdade e o quanto, em sua busca, corremos o risco do erro e da injustiça. Mais: o filme nos mostra o quanto, apesar de nossas certezas internas, paira sobre nós a dúvida.

Temos a tendência de simplificar as situações em nosso julgamento, definindo rapidamente quem é o “mocinho” e quem é o “bandido” e não percebemos o quanto é difícil julgar e como é complexo  discernir o certo do errado. Declaramos rapidamente alguém culpado ou inocente, concluindo apressadamente a favor de um em detrimento de outro, sem perceber que a superficialidade dos elementos que temos para chegar a essa ou aquela conclusão.  O filme nos faz refletir como é difícil agradar as pessoas e ao mesmo tempo fazer valer a verdade.  Faz-nos lembrar também o quanto é necessário confrontarmos a nossa consciência e nos enxergarmos humanos, percebendo que de fato, em função da nossa complexidade, temos, ao mesmo tempo, um lado bom e outro ruim. Por isso, nem sempre estamos totalmente certos ou com a verdade, como gostaríamos. Precisamos enfrentar a nossa conivência e leniência com as nossas distorções,  muitas vezes ocultadas com nossa persona.

Será que basta reconhecermos nossa culpa ou o nosso erro? Ou é necessário também reconhecermos a nossa impotência em cessar de atuá-lo? E se este é o caso, será que a nossa impotência não indica que precisamos de ajuda para deter o comportamento em que estamos aprisionados?

É comum termos pena de nós mesmos e, conseqüentemente, dos outros. O que, num certo sentido, pode até explicar a conivência com distorções de conduta, seja com as nossas distorções ou a de outros.  Isso também explica, num outro extremo, quando somos implacáveis, também com as nossas ações e a de outros. Muitas vezes, para não sermos coniventes, vamos  em direção ao lado oposto e nos tornamos rígidos, duros e inflexíveis.

Existe uma verdade além das nossas verdades pessoais? Ou basta ter mais argumentos, argúcia, inteligência, esperteza para estarmos certos e por isto mesmo com a verdade? Comumente, cada um constrói suas verdades pessoais baseado em conclusões que tira a partir de suas experiências de vida. Conclusões estas que se tornam o filtro pelo qual interpretamos a realidade. Julgamos e agimos a partir deste discernimento pessoal.

Por toda esta reflexão que provoca, Dúvida é um filme que vale a pena ser visto.  Isso sem contar o fato de que, como sempre, Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman dão um show de interpretação.

Por Flávio Vervloet





Choque de Classes

12 08 2009

CHOQUE DE CLASSES (2004)

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Sinopse

Homem cansado de rotina familiar com a esposa conservadora e com a irmã dominadora dirige-se a cidade para encontrar sua outra irmã, dona de boate, gerando um choque de classes tão divertido quanto surpreendente. Do mesmo diretor de Pauline & Paulette, filme que ganhou o Prêmio Ecumênico Especial do Júri em Cannes em 2001.

Reflexões sobre o filme

O filme trata do choque entre o tradicional e a transgressão do comum. É um olhar não preconceituoso e não discriminativo do diretor sobre o tema.

Tuur, um homem cansado da rotina em que vive, está profundamente mal-humorado no dia de seu aniversário de casamento. Ele tem um relacionamento tradicional, em que a rotina gerou apatia e estagnação. Além disso, o casal acomodou-se à presença de uma irmã de Tuur dominadora, manipuladora e geniosa. É possível que essa irmã também tenha se acomodado à situação.

Em determinado momento, essa incômoda situação gera fato inédito: Tuur resolve sair de casa e procurar sua outra irmã, que vivia situação oposta à dele. Ela sentia-se rejeitada pela família, por ter escolhido viver de forma e em local diferente.

A visita inesperada de Tuur à irmã de quem se distanciara leva essa personagem de volta ao passado, para rever fantasmas familiares. Contente com a presença do irmão, a irmã demonstra que o quer a seu lado, para fazer-lhe companhia e para compartilhar. O contato entre ambos traz novo significado à vida dessa irmã.

Com o afastamento de Tuur, sua mulher, Emma, encontra seu próprio valor, brilho pessoal, força e coragem para viver. Depois que marido e mulher passam pelas experiências necessárias à transformação de cada um, o que confere novo significado a suas vidas, eles se reaproximam de coração aberto. Após o reencontro, seguem juntos, felizes.

A vida seria mais fácil se as mudanças fossem encaradas como desafios e não como tragédias. Mas isso só seria possível se, em vez de culparmos os outros, assumíssemos a vida como destino pessoal criado, muitas vezes, por nós mesmos.

Frequentemente, a rotina, as regras, as normas, os papéis sociais geram estagnação e paralisam os indivíduos. Nessa situação, os sentimentos tornam-se inacessíveis, as sensações ficam entorpecidas e a razão resta embotada.

É comum a insatisfação, as frustrações, as doenças, os transtornos psíquicos ou algum acontecimento levarem-nos a situações de crise, que revira nossos conceitos, preconceitos e paradigmas. A crise nos acorda do torpor e movimenta a vida dentro de nós. A vida parece não suportar a estagnação e a tudo impulsiona em direção ao crescimento e à expansão.

Por Flávio Vervloet





Ao Entardecer

31 07 2009

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Sinopse
Ann Lord (Vanessa Redgrave) decide revelar às suas filhas Constance (Natasha Richardson) e Nina (Toni Collette) um segredo há muito guardado: que amou um homem chamado Harris (Patrick Burton) mais do que tudo em sua vida. Desnorteadas, as irmãs passam a analisar a vida da mãe e delas mesmas a fim de descobrir quem é Harris. Enquanto isso Ann relembra um final de semana ocorrido 50 anos antes, quando veio de Nova York para ser a madrinha de casamento de sua melhor amiga da escola, Lila (Mamie Gummer). Lá ela conhece Harris Arden, amigo íntimo da família de Lila, por quem Ann se apaixona.

Reflexões sobre o filme
Tema: Envelhecer, Escolhas, Livre-arbítrio

Um filme tocante que reflete a vida, seus acontecimentos, encontros e desencontros, o sentido da vida e de nossas existências.

Quem pode dizer, com certeza, que sempre fez, em determinada situação, a escolha certa ou errada? No momento atual – repleto de incentivos, estímulos e motivação para uma vida feita de escolhas, metas, decisões e alto desempenho –, esse filme, como muitos de seu gênero, questiona essas certezas. Não que não precisemos melhorar nosso desempenho e desenvolver a capacidade de fazer boas escolhas, mas será que podemos atribuir tamanho peso ou gravidade a nossas escolhas? Como viver pesando tudo entre certo e errado ou bom e ruim? Será que todos não desejamos as mesmas coisas, apesar de buscá-las em local e de forma diferente?

Em relação ao filme, quem está certa? A filha que vivia dentro dos padrões usuais de estabilidade profissional, matrimonial e familiar ou a que estava fora desses padrões? Anne, que tinha muitas expectativas na vida e que buscava ser livre para tomar decisões, ou Lila, que, mesmo sem amar, casou-se conforme o movimento e as sequências de acontecimentos de sua vida? Todas as nossas escolhas geram consequências, e é natural que assim seja. Mas como dizer que erramos só por que as consequências são ruins? Será que, de fato, poderíamos ter feito outra escolha? Em caso positivo, será que a teríamos sustentado ou evitado resultados insatisfatórios?

Nossas decisões são tomadas com base em somatório de forças internas e de tendências diversas, que são, muitas vezes, contraditórias. Nossas resoluções, em grande parte, são o resultado da ação da parte interna que mais pesou e tem força em nós. Mesmo querendo fazer a escolha “certa”, pesam, em cada escolha, nossos limites pessoais; crenças sobre a vida, sobre o outro e sobre nós mesmos; experiências pregressas; motivações internas; anseios pessoais; e, ainda, outras forças. Gostaríamos de ter a clareza que nos permitisse optar pelas escolhas perfeitas, e a força que nos permitisse sustentá-las, mas parece que a vida não é assim. Em todas as escolhas, teremos ganhos e perdas. Precisamos nos dar conta de que não há escolhas perfeitas. Portanto, fazer escolhas perfeitas não parece ser parâmetro muito útil. É necessário considerarmos que temos limites pessoais e que nem sempre podemos sustentar a vida com base nas escolhas que fizemos, por melhor que tenhamos escolhido.

Por tudo isso, fica muito difícil dizer que fizemos má escolha ou escolha errada em função de o resultado ter sido diferente do que desejávamos. No filme, a personagem Ann e sua amiga Lila refletem isso. Ann fez escolhas baseada em suas verdades, seguiu essas escolhas durante sua vida e deu o melhor de si. Sua vida foi plena e ela buscou, como pediu a suas filhas, ser feliz. É possível que, no fim da vida, tenha ficado com dúvidas sobre suas escolhas e se ressentido de algumas ações. Talvez na velhice, mais amadurecida pela própria experiência de vida, perceba alguns equívocos em seu discernimento e julgamento e em algumas de suas escolhas. O mesmo aconteceu com Lila. Como Ann, ela também fez escolhas com base em suas verdades e viveu conforme essas escolhas. Deu o melhor de si e sua vida foi, igualmente, plena. A vida de nenhuma das duas foi perfeita, como não o é a de ninguém. Buscamos todos as mesmas coisas: ser feliz e viver em plenitude, e parece que estamos todos a burilar e a aperfeiçoar nosso discernimento. Apesar dos receios, da incerteza e do novo, fazemos sempre escolhas, mesmo ao permanecermos no terreno do velho e do conhecido. O resultado de nossas escolhas dificilmente será perfeito. Mas, mesmo que o resultado não seja o que desejávamos, não significa que erramos, mas que tentamos e fizemos o melhor possível, que somos imperfeitos e que aprendemos na tentativa e no erro, aperfeiçoando o discernimento e a capacidade pessoal.

Outro ponto extremamente importante no filme é a reflexão sobre a culpa. A morte de Buddy muda totalmente a direção da vida de Ann e de Harris, que, presos na culpa, seguem caminhos diferentes dos que pediam seus corações. Se não trabalhamos a culpa, ela pode se tornar tormento e prisão, como no filme e na vida de muita gente. Sem adentrar o campo da Filosofia do Direito, é importante discernirmos o que de fato é nossa responsabilidade e, em cada caso, tomarmos cuidado para não assumir a parte do outro. É comum, nas pessoas muito responsáveis, a tendência à onipotência, a tomar tudo para si. É sempre importante lembrar que, além da sobrecarga que essa atitude gera, tiramos a responsabilidade e o poder pessoal do outro, tornando-o vítima, dependente e incapaz de gerir a própria vida, e passamos a carregar culpas que, muitas vezes, não nos pertencem. É um filme que vale a pena ser visto.

Por Flávio Vervloet