Click

30 07 2009

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Sinopse
Michael Newman (Adam Sandler) é casado com Donna (Kate Beckinsale), com que tem Ben (Joseph Castanon) e Samantha (Tatum McCann) como filhos. Michael tem tido dificuldades em ver os filhos, já que tem feito serão no escritório de arquitetura em que trabalha no intuito de chamar a atenção de seu chefe (David Hasselhoff). Um dia, exausto devido ao trabalho, Michael tem dificuldades em encontrar qual dos controles remotos de sua casa liga a televisão. Decidido a acabar com o problema, ele resolve comprar um controle remoto que seja universal, ou seja, que funcione para todos os aparelhos eletrônicos que sua casa possui. Ao chegar à loja Cama, Banho & Além ele encontra um funcionário excêntrico chamado Morty (Christopher Walken), que lhe dá um controle remoto experimental o qual garante que irá mudar sua vida. Michael aceita a oferta e logo descobre que ela realmente é bastante prática, já que coordena todos os aparelhos. Porém Michael logo descobre que o controle tem ainda outras funções, como abafar o som dos latidos de seu cachorro e também adiantar os fatos de sua própria vida.

FONTE:http://www.adorocinema.com/filmes/click/click.asp

Reflexões sobre o filme
O filme traz uma reflexão sobre a tendência do homem de querer controlar a vida. Controlar os fatos, os acontecimentos de forma a ter somente o lado bom sem perdas, dificuldades ou problemas.

Burlar a vida retendo só o que é bom e se esquivando do que é ruim. A sociedade ocidental promete tudo isto se tivermos dinheiro suficiente, se formos ricos. Às vezes o que se busca é valorização pessoal, destaque e evidência no meio profissional, social, acadêmico. Outras vezes o que se quer é poder sobre os outros, ser bajulado e temido como alguém que pode mais. Ou o valor é a beleza e estética acima de tudo. Ou ser uma boa pessoa, realizadora de ações, não importando qual seja este motivo ou busca. Os outros valores como família, saúde, relacionamentos sociais, reflexões sobre a vida ficam como secundários ou últimos em uma lista de prioridades.

Ganhamos, mas muitas vezes não levamos porque se deixa o melhor para traz; vencemos e temos sucesso, mas o usufruto deste anseio se esvaia deixando um enorme vazio.

No filme temos uma comedia que dá uma leve, porém profunda amostra desta realidade. Um controle universal que de forma acelerada nos dá um panorama a longo prazo de uma vida. Um controle que faz uma analogia com a nossa tendência de alterar o movimento e ritmo natural das coisas. Corremos tanto e fazemos tanto que falta tempo para vivenciarmos o melhor e o pior da vida. Levando em consideração que o pior da vida é também experiência e pode se transformar em aprendizado e crescimento. O pior também é vida.

Parar, diminuir o volume, calar, voltar no tempo, avançar no tempo são recursos de um controle remoto que também usamos na vida quer querendo que a vida se molde à nossa vontade, quer evitando o que não gostamos, quer subvertendo o ritmo das coisas para que atenda nossos anseios, quer remoendo o passado ou vivendo em função do futuro, quer negando o ruim para ficar só com o que é bom.

Ficamos no piloto automático perdendo o momento presente, o aqui e agora. E desta forma perdemos muitas coisas boas junto das ruins que evitamos. Como no controle universal do filme, nossa memória executa nossas preferências, que acabam se tornando um hábito que vai mandando em nossa vida. Criamos padrões de pensamentos e comportamentos que se reforçam num ato contínuo se fortalecendo a cada dia, e nos roubando o melhor da vida e o poder da escolha de cada momento.

Reflete também como nossos hábitos e comportamentos influenciam nossos filhos e como eles seguem o ideal que acham ser deles quando na realidade são uma imitação ou uma negação aos comportamentos paternos.

Por fim, traz uma reflexão belíssima de recomeço e de uma nova chance para resgatar o essencial da vida.

Por Flávio Vervloet

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