CRASH – No Limite

30 07 2009

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Sinopse
Jean Cabot (Sandra Bullock) é a rica e mimada esposa de um promotor, em uma cidade ao sul da Califórnia. Ela tem seu carro de luxo roubado por dois assaltantes negros. O roubo culmina num acidente que acaba por aproximar habitantes de diversas origens étnicas e classes sociais de Los Angeles: um veterano policial racista, um detetive negro e seu irmão traficante de drogas, um bem-sucedido diretor de cinema e sua esposa, e um imigrante iraniano e sua filha.


Reflexões sobre o filme


Tema:
Preconceito, intolerância racional, violência urbana, sombra social.
Nos tempos modernos, nos grandes centros é comum que vivamos cercados de violência, tensão social, abuso de poder, desigualdade social e convívio entre diferenças sociais, culturais, financeiras, e raciais.
Muitos dos grandes centros urbanos viraram um barril de pólvora no limite de explodir, e de onde geram muitos acidentes.
O filme reflete a tensão social urbana e intolerância entre os vários grupos: Entre grupos raciais, entre os grupos originais dominantes e as minorias que o constituem, quer em suas origens ou fruto da imigração. A intolerância entre os próprios integrantes dos grupos raciais entre si e a intolerância também entre os que seguiram rumos diferentes na vida.
Uma intolerância onde competição, luta, alienação e indiferença afeta a maioria e a paz habita somente na inocência de poucos.
Outra reflexão importante que traz o filme é a de como a intolerância, o medo, a revolta e a amargura de uma vida endurecida geram a violência, o crime e a situação extrema de morte. O medo tanto quanto a revolta nos faz armados, tensos, impacientes, intolerantes, reativos e agressivos. Outra reação no extremo oposto é a alienação, a anestesia dos sentidos, a paralisia e a acomodação, que também são defesas ante ao desagradável ou ao perigo. Até que ponto é necessário atingirmos o limite, o risco extremo? O limite para despertarmos de nossa anestesia aos fatos e ao que acontece em torno de nós ou para despertarmos do outro extremo a intolerância, revolta e medo? O que é preciso acontecer para que nos desarmemos e acordemos para a realidade simples e profunda da neve que cai, do abraço de um estranho, de um “milagre” em que as circunstâncias evitam a morte de uma inocente criança.
O sofrimento humano não aliviado pelo que há de melhor no íntimo de cada um gera o endurecimento, a amargura, o pessimismo, a anestesia dos sentidos e das emoções para sobrevivência. Mas como viver como mortos vivos e perdemos o contato com a vida que há em nós? Se ficarmos reféns das nossas emoções conturbadas ou mesma do não sentir, como fazer contato com as emoções e os sentimentos leves e bons?
Talvez não haja como negar a violência e os desencontros de nossa sociedade, não há como fantasiar e fazer de conta que a realidade urbana crua não exista e que possamos conviver somente com boas emoções e sentimentos. Talvez, até que a sociedade, os governantes e nós mesmos despertemos e possamos gerar mudanças nas causas profundas destes desajustes, temos que aprender a conviver com esta situação limite. Nestas condições é necessário nos acautelarmos, nos defendermos dentro da lei e aprendermos a conviver com estes desequilíbrios sociais, porém sem no entanto nos perdermos de nós mesmo, do outro, da vida e da beleza que há em nosso íntimo. Porque se não, talvez só nos reste o acidente, a crise para nos ajudar a despertar para o humano que existe em nós.
O filme também traz um contraste extremo nas cenas em que o mesmo indivíduo que abusa do poder, da autoridade humilhando e desrespeitando aparece numa outra situação salvando a mesma pessoa em um acidente que seria fatal. Em outra em que o mesmo individuo que salva um homem perturbado emocionalmente de ser morto em blitz e cerco policial é aquele que por medo mata uma pessoa equivocadamente e depois encobre o crime.
Parece que habita em nos o herói e o criminoso, e também o vilão e a vitima. dependendo das circunstancias um destes eus toma a cena e atua. A questão é qual destes eus queremos nutrir e fortalecer? Como não alimentar o nosso lado distorcido se filtrarmos continuamente somente pensamentos pessimistas, de revolta, de medo, pavor e de desesperança?
Existe um conceito Junguiano de sombra social que diz que a sombra e distorção social é uma somatória de nossas sombras e distorções pessoais. É comum nos horrorizarmos com os acontecimentos sociais que a evidenciam e é comum também entrarmos no julgamentos e nos eximirmos de nossa parte. Como contribuímos para criar a realidade crua que está ao nosso lado e em torno de nós? Na alienação, na acomodação, no medo, na indiferença, na vitimização, na revolta, na intolerância, na impaciência, na agressividade, na reatividade, na própria violência? Mesmo não atuando diretamente, com o que somamos para criar esta psicosfera de terror e crimes?
Será que somos vitimas reais e inocentes dos acidentes e crashes de nossa sociedade?
Por Flávio Vervloet
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